Hoje me surpreendi analisando um casal dentro do metrô. Um homem de aproximadamente 45 anos com cabelos grisalhos bem cortados. Modernamente vestido usava uma camisa roxa com um corte arrojado, calças jeans, tenis de couro. Formava uma figura bonita com óculos com armação de plástico e a mochila com zipers gigantes. Acompanhando ele estava sua filha uma bonita menina de por volta de 13 anos. Trajando bluza roxa e jeans com um casaco vermelho amarrado ao corpo ia para escola com a tradicional mochila de princesa rosa, tão apreciada por garotinhas.
Aqueles dois dominaram minha atenção. Observei que a menina olhava o pai como ao ursinho predileto que acabou de encontrar depois de uma semana perdido na roupa suja. A falta de aliança na mão do pai explicava que o convívio dos dois não era o mais próximo, mais uma família separada pelas vicissitudes do ajuntamento humano contenporâneo.
O pai seguia indiferente aos olhares da filha lendo Carl Sagan. Neste ponto começei a devagar sobre o que exatamente estes dois representavam para mim. Atualmente casais separados e filhos que dividem os pais em regime de escala são comuns, isso não significa que seja algo bom. Vi um homem que não se aceitava trancado em um relacionamento em busca de auto afirmação e que não sabia como se relacionar com a filha carente de atenção.
Tenho a sensação de que estamos caminhando para o lugar errado desta forma. Algo que deveria ser a exessão, o divórcio, tornou-se regra. As famílias não se sustentam frente as exigências que se impõem as pessoas de carne e osso. As mulheres tem de se manter lindas 24 horas por dia enquanto trabalham e cuidam dos filhos. É fácil ver a incoerência do que apresento, trabalhando 8 horas, dormindo 8 horas, ficando 2 horas no trânsito caótico, vendo novela das 6, 7, jornal e novela das 9 são mais 3 horas no mínimo de televisão, resumindo sobram 3 horas para educar os filhos, cuidar da saúde, satisfazer os desejos da carne e alimentar algum lazer. IMPOSSÍVEL.
Onde estamos errando?
sexta-feira, 28 de maio de 2010
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